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Promotoria apura ação de PMs em escola após aula sobre religiões afro

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) tomou a iniciativa de investigar o caso em que 12 policiais militares fortemente armados adentraram uma escola municipal em São Paulo. O episódio aconteceu no dia 11 de novembro de 2025 e teve como ponto de partida a denúncia de um pai de aluna, de apenas 4 anos, que se indignou com uma atividade escolar sobre a orixá Iansã. Agora, o MPSP busca esclarecer se houve ações de discriminação racial ou abuso de autoridade por parte dos policiais.

Contexto da Atuação Policial

A promotoria se concentra em verificações relacionadas ao possível caráter discriminatório das ações dos policiais, bem como ao uso desnecessário de força na abordagem dentro da EMEI Antônio Bento, localizada na Zona Oeste de São Paulo. O caso despertou interesse público devido à natureza religiosa e étnico-racial do conteúdo pedagógico que foi alvo da denúncia inicial.

Após a ação dos policiais, o pai que fez a denúncia, que também é policial militar, foi acusado de intolerância religiosa pela Polícia Civil do estado, conforme notícia relatada em março de 2026. Este aspecto do caso acentua a complexidade das questões judiciais em jogo, envolvendo preconceito e liberdade de ensino religioso.

Conclusão Preliminar do MP-SP

O MP-SP, com base nos registros das câmeras corporais e em documentos coletados, determinou que não havia justificativa para a ação policial na escola. Além disso, conforme relatado no documento do MP-SP, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) inicializou uma investigação prévia, mas declarou que os policiais agiram dentro dos parâmetros exigidos, não optando por instaurar qualquer inquérito Policial Militar ou sindicância contra eles.

Entretanto, a análise ministerial vai além, afirmando que a atividade pedagógica questionada é respaldada pelos parâmetros nacionais de ensino, especialmente pelas Leis Federais 10.639/2003 e 11.645/2008, que pautam a educação anti-racista. Assim, o promotor responsável, Bruno Orsino Simonetti, pretende investigar se houve obstrução ao direito à educação e à prática educativa alinhada à história e cultura afro-brasileira e indígena, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Perspectivas Futuras

A decisão do promotor em aprofundar a investigação pode desencadear desdobramentos significativos para as práticas educacionais e de segurança pública em São Paulo. As atividades escolares sobre temas de matriz africana representam um aspecto fundamental no currículo voltado para a diversidade cultural e racial do país, conforme os regulamentos vigentes. Igualmente, o futuro dessa investigação pode impactar as diretrizes operacionais das forças policiais ao lidar com denúncias envolventes de cunho religioso e cultural.

A questão em pauta continua sendo observada de perto pela sociedade, uma vez que tangencia debates essenciais sobre a tolerância religiosa, a liberdade de expressão e o combate ao racismo no âmbito educativo.