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Pesquisadores exilados pelo AI-5 são homenageados pela Fiocruz

No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) homenageou nove cientistas cassados pela ditadura militar brasileira, concedendo-lhes o título de pesquisadores eméritos. O evento é uma forma de reconhecer o legado dos cientistas cujos direitos políticos foram retirados em 1970, em um episódio conhecido como Massacre de Manguinhos. A cerimônia foi realizada nas escadarias do Castelo Mourisco, sede da instituição no Rio de Janeiro, e destacou a importância da ciência e da democracia.

O Massacre de Manguinhos

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou que os cientistas foram afastados da instituição por causa do Ato Institucional 5 (AI-5), e também ficaram impedidos de ocupar cargos em instituições públicas devido ao AI-10. A reintegração dos pesquisadores ocorreu somente em 1986, com o processo de redemocratização no Brasil. Para Moreira, esse é um momento crucial para relembrar a história e reafirmar valores como o respeito à ciência e à democracia, especialmente em tempos marcados por negacionismo e desinformação.

Entre os homenageados estão figuras notáveis da ciência brasileira, responsáveis por importantes avanços em saúde pública e formação acadêmica. Eles incluíram Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho.

Conheça os pesquisadores

Augusto Périssé, originalmente de Barbacena, Minas Gerais, foi um marco no desenvolvimento de pesquisas em química orgânica na Fiocruz e sofreu forte impacto na carreira devido à perseguição política. Domingos Arthur Machado Filho, carioca, tornou-se uma autoridade em helmintologia e teve sua trajetória interrompida, mas continuou sua vocação docente. Fernando Braga Ubatuba, natural de Pelotas, desenvolveu pesquisas essenciais em farmacodinâmica e bioquímica, envolvendo-se em iniciativas internacionais na Venezuela.

Haity Moussatché, turco naturalizado brasileiro, contribuiu significativamente para a fisiologia experimental e farmacodinâmica e enfrentou exílio na Venezuela. Hugo de Souza Lopes, pioneiro no estudo da família Sarcophagidae, atuou na preservação de coleções entomológicas brasileiras durante o regime militar. Masao Goto dedicou sua carreira ao estudo de micoses e nunca pôde retomar suas atividades na Fiocruz.

Moacyr Vaz de Andrade foi um importante químico e micologista que, após cassado, levou sua expertise para a iniciativa privada até se reintegrar à Fiocruz. Sebastião José de Oliveira, um pesquisador negro de destaque, focou seus estudos em dípteros, mesmo quando a vida pública lhe foi negada. Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, que teve profundas contribuições em nutrição e fisiologia, lutou pela reestruturação científica no retorno à Fiocruz.

Reconhecimento e legado

O tributo aos cientistas cassados simboliza não apenas uma reparação histórica, mas também uma reafirmação do compromisso da Fiocruz com a excelência e integridade científica. Também foram homenageadas figuras que apoiaram esses cientistas, como a madre Maria de Fátima, chanceler da Universidade Santa Úrsula, cujo apoio permitiu que acadêmicos cassados continuassem a ensinar. Este reconhecimento solene busca não apenas lembrar o passado, mas também garantir que as futuras gerações valorizem e protejam o legado científico de resistência.

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