Pular para o conteúdo

Violência contra indígenas cresce, com 258 assassinatos em 2022

Um relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, revela que 258 indígenas foram assassinados no ano de 2025, um aumento em relação aos 211 casos de 2024. Os estados que registraram os maiores números de mortes foram Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37), conforme informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade, das secretarias estaduais de saúde e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai).

O Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil destaca um panorama de insegurança em 2025, evidenciado por atos de violência relacionados à luta pela terra, vulnerabilidade das comunidades e contínuas invasões. O documento aponta um aumento em três categorias de violência: contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do Poder Público, além de crescentes conflitos por direitos territoriais, assassinatos, suicídios e alta mortalidade infantil.

Violência contra a pessoa

Logo no início de 2025, quatro indígenas da etnia Avá-Guarani foram baleados em um ataque na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, localizada no oeste do Paraná e atualmente em processo de demarcação, onde há intensos conflitos de posse. Um dos atingidos perdeu os movimentos das pernas após levar um tiro na coluna.

No mês de março, o indígena Pataxó, Vitor Braz, foi morto em Barra Velha do Monte Pascoal, na Bahia, num contexto de disputas por demarcação de terras. Em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi assassinado na área do Tekoha Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipegua I, em Mato Grosso do Sul, em circunstâncias semelhantes.

O relatório enfatiza que os três incidentes ocorreram em terras já reconhecidas pelo Estado, mas cujos processos demarcatórios estão estagnados há mais de dez anos. As agressões são associadas aos direitos territoriais indígenas e ao conflito jurídico em torno da Lei 14.701/2023, também chamada de Lei do Marco Temporal.

No Supremo Tribunal Federal (STF), questões referentes à inconstitucionalidade da Lei 14.701 ainda aguardam julgamento. Além do marco temporal, a legislação inclui disposições que permitem a exploração de terras indígenas por terceiros e complicam as demarcações.

Violência contra o patrimônio

No ano de 2025, foram registrados 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena. Destes, 897 estavam relacionados à omissão e demora na regularização de terras, 169 a conflitos de direitos territoriais e 210 a invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos a propriedades indígenas.

No país, há 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas, das quais 897 aguardam alguma medida administrativa de regularização. Entre essas, 582 ainda não tiveram nenhuma ação demarcatória iniciada.

Em 2025, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) publicou relatórios de Identificação e Delimitação para nove terras indígenas, enquanto o Ministério da Justiça emitiu dez portarias declaratórias. Sete terras foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União, concluindo seus processos de regularização.

Além disso, 16 novos grupos técnicos de delimitação de terras foram criados, e 10 reservas indígenas foram estabelecidas pela Funai.

Violência por omissão do Poder Público

O relatório também documenta 215 suicídios entre indígenas em 2025, acima dos 208 do ano anterior. Os estados com mais casos foram Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37). A maioria dos casos ocorreu entre jovens, com 41% dos suicidas entre 20 e 29 anos e 34% com até 19 anos.

Também cresceram as mortes de bebês e crianças indígenas até 4 anos, somando 1.024 em 2025, frente a 922 em 2024. Os piores dados vieram do Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123), com 57% dos óbitos provenientes de causas evitáveis como gripe, pneumonia e desnutrição.

Foram apontados 366 casos de falta de assistência, incluindo 58 na saúde geral, 111 na educação e 121 em saúde, além de 62 mortes por ausência de atendimento médico e 14 por questões ligadas ao álcool e outras drogas.

Povos isolados

O estudo analisa situações de povos indígenas em isolamento, muitos sem reconhecimento oficial do Estado, portanto desprotegidos e sob risco de genocídio. A Equipe de Apoio aos Povos Livres do Cimi identificou 119 grupos isolados no Brasil, dos quais apenas 28 têm confirmação pela Funai. Foram registrados incidentes de invasões em 20 terras que abrigam 45 desses grupos.