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População de rua no Rio é a segunda maior do Brasil, aponta pesquisa

No Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, destaca-se o estado do Rio de Janeiro, que possui a segunda maior quantidade de pessoas vivendo em condições precárias no Brasil. De acordo com os registros do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), são 35.406 pessoas nessa situação, ficando atrás apenas de São Paulo.

Desafios enfrentados e legislação

O aumento do número de pessoas em situação de rua é resultado de fatores como extrema pobreza, ausência de vínculos familiares e dificuldades em acessar moradia e emprego. Em resposta a essa situação, o legislativo fluminense aprovou várias leis com o objetivo de fortalecer o acolhimento, assegurar direitos e fomentar a autonomia dessas pessoas.

Entre as iniciativas estaduais, a Lei 9.302/21 merece destaque, pois estabelece a Política Estadual para a População em Situação de Rua. Essa norma reconhece como pessoas em situação de rua aquelas marcadas pela extrema pobreza, desgaste ou rompimento de vínculos familiares, e que não têm uma moradia convencional estável.

A legislação assegura acesso facilitado a políticas públicas em diversas áreas, como saúde, educação, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda. Ademais, prevê a criação de uma rede de acolhimento temporário, ações voltadas para a segurança alimentar, programas de qualificação profissional, intermediação de mão de obra e iniciativas habitacionais acompanhadas por equipes multidisciplinares.

Importante ressaltar que a medida proíbe qualquer forma de discriminação durante o atendimento, seja por questões econômicas, étnico-raciais ou de saúde, inclusive aquelas relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas.

Distribuição da população em situação de rua

Entre os municípios do estado do Rio de Janeiro, a capital lidera com o maior número de situações de rua registradas no CadÚnico, totalizando 22.352 pessoas. Confira os demais números:

  • Rio de Janeiro: 22.352 pessoas;
  • Niterói: 1.015;
  • Duque de Caxias: 977;
  • Nova Iguaçu: 727;
  • Volta Redonda: 488;
  • São Gonçalo: 484;
  • Maricá: 471;
  • Macaé: 402;
  • Cabo Frio: 333;
  • Petrópolis: 305.

Histórias de recomeço

Leonardo Motta, escritor que hoje leva uma vida totalmente renovada, é um exemplo de superação das adversidades da rua. Após viver nas ruas durante um ano e três meses devido a uma longa dependência de álcool e drogas, hoje está sóbrio há nove anos. Residente da Ilha de Paquetá, Leonardo é casado e já publicou três livros.

Ele evidencia a importância do apoio e da aceitação da ajuda, como em seu próprio caso, quando se internou por sete meses em um centro de tratamento. Leonardo também criou a Revista na Calçada, uma publicação de poesia que dá visibilidade às experiências vividas por aqueles que ainda se encontram em situação de rua.

Hoje, ele participará de um evento na Biblioteca Estadual, localizada na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, para apresentar seu trabalho literário e discutir a realidade de quem vive nas ruas.

“O conselho que deixo para quem está nessa situação é que aceite ser ajudado. De um lado, existe alguém disposto a ajudar; do outro, é preciso que a pessoa também aceite essa ajuda.”