Na noite desta quinta-feira, 27 de agosto, os brasileiros terão a chance de observar um fenômeno raro: um eclipse parcial da Lua. Este espetáculo celestial começará às 23h34, no horário de Brasília, quando a Lua começará a entrar na umbra da Terra. O ponto máximo do eclipse ocorrerá à 01h31 da madrugada de sexta-feira, 28 de agosto, quando a Lua estará na fase mais escura.
Entenda o fenômeno
De acordo com Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, os eclipses parciais da Lua acontecem quando ela entra na sombra da Terra causada pela luz solar. Esse fenômeno ocorre apenas durante a Lua cheia, quando as órbitas de Terra e Lua estão alinhadas. Anualmente, o número de eclipses pode variar, dependendo de quanto a Lua adentra na sombra da Terra.
Josina explica que, “se o plano da órbita da Lua fosse o mesmo do plano da Terra em torno do Sol, haveria um eclipse a cada Lua cheia. Porém, como a órbita lunar é inclinada cerca de 5 graus, os eclipses não acontecem em todas as Luas cheias”.
Como observar o eclipse
Para testemunhar corretamente o eclipse parcial, é preciso estar atento aos detalhes do movimento das sombras. Inicialmente, a Lua mergulhará na penumbra, uma sombra mais clara e praticamente imperceptível a olho nu. Somente por volta das 23h34, quando a Lua se move para a umbra, a sombra mais escura, os observadores começarão a notar diferenças no brilho lunar.
No entanto, a visualização do fenômeno requer paciência. “A Lua passará boa parte na penumbra sem que se perceba as mudanças. Quando começar a entrar na umbra, a diferença será visível, tornando-se mais notável com a ‘mordidinha’ do lado escuro sombreando a Lua”, esclarece a astrônoma.
Importante: Diferentemente dos eclipses solares, não é necessário usar equipamentos de proteção ocular para ver um eclipse lunar. O fenômeno pode ser apreciado a olho nu, de qualquer lugar com céu claro no Brasil.
Características do evento
O eclipse parcial deste mês pertence ao ciclo Saros 138, que regula a recorrência dos eclipses lunares e solares em intervalos de aproximadamente 18 anos. Durante este evento, a fase parcial do eclipse durará 3 horas e 18 minutos, começando às 23h34, com pico às 01h13 e concluindo às 02h52.
Mesmo quem estiver em regiões com fusos horários diferentes pode ajustar essas horas, subtraindo as diferenças locais, para observar o fenômeno no mesmo instante.
Atração e transmissão
O eclipse envolve um fascínio natural e científico que contribui significativamente para a divulgação e a educação em astronomia. Josina Nascimento afirma que “essa admiração pelo céu é eficaz na educação e na ciência cidadã, envolvendo projetos em escolas e cidades para observação coletiva”.
Para aqueles que não conseguem ver o eclipse a olho nu, o Observatório Nacional transmitirá o evento ao vivo em seu canal do YouTube, com início às 23h00. A transmissão faz parte do programa “O Céu em sua Casa: observação remota”, permitindo que qualquer interessado acompanhe o fenômeno em tempo real. A cobertura estará disponível para retransmissões mediante aviso prévio aos organizadores via e-mail.
