O Brasil deu um passo significativo na diversificação de seus parceiros comerciais ao firmar um memorando de entendimento com a Índia. O acordo, estabelecido entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas, visa fomentar a cooperação entre empresas dos dois países, intensificar investimentos e criar novas oportunidades de negócios bilaterais.
Parceria com a Índia
O memorando foi assinado na sede da ApexBrasil, em Brasília, e prevê o intercâmbio de informações sobre os mercados brasileiro e indiano, além do compartilhamento de boas práticas, promoção de eventos e apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas. É importante ressaltar que o acordo não é vinculativo, ou seja, não impõe obrigações legais aos envolvidos.
O objetivo é fomentar a aproximação entre empresas dos dois países e estabelecer uma base institucional favorável para projetos conjuntos focados em investimentos e facilitação comercial. A expectativa é que o comércio bilateral alcance US$ 20 bilhões até o ano de 2030. Em 2025, as exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 6,9 bilhões, enquanto as importações do país asiático ultrapassaram US$ 8,4 bilhões.
Comércio Brasil-Índia
- Meta de comércio bilateral até 2030: US$ 20 bilhões
- Comércio Brasil-Índia em 2025: US$ 15,2 bilhões
- Exportações para a Índia em 2025: US$ 6,9 bilhões
- Importações de produtos indianos em 2025: US$ 8,4 bilhões
- Crescimento da relação comercial: 82%
- Oportunidades para produtos brasileiros identificadas pela ApexBrasil: 378
- Linhas de produtos no acordo de preferências Mercosul-Índia: 450
Diversificação de mercados
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, expandir laços comerciais internacionais é uma diretriz crucial do governo. A Índia representa um exemplo dessa estratégia, dada a necessidade do Brasil de explorar novos mercados e fortalecer relações comerciais existentes. Nos últimos anos, a parceria comercial Brasil-Índia cresceu expressivamente, com um aumento de 82%.
A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano e apoia cerca de 10 projetos estratégicos voltados para o país asiático, incluindo colaborações com o setor agropecuário.
Setores estratégicos
A colaboração entre Brasil e Índia abrange setores estratégicos como indústria farmacêutica, bioenergia, fertilizantes e dispositivos médicos. Além disso, o Brasil busca ampliar as parcerias internacionais na exploração de minerais críticos, com a condição de que essas colaborações incentivem o desenvolvimento tecnológico no país.
Esta estratégia também pretende beneficiar o agronegócio brasileiro, ampliando a presença em mercados internacionais e diminuindo a dependência de determinados destinos para exportação.
Negociação com EUA
Além de fortalecer os laços com a Índia, o Brasil se prepara para dialogar com os Estados Unidos sobre as sobretaxas impostas aos produtos brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recentemente conversou com Donald Trump, o que ajudou a reabrir negociações sem exigir concessões unilaterais do Brasil de antemão.
Na próxima reunião, temas como exceções tarifárias e a Lei de Reciprocidade poderão ser discutidos. O governo brasileiro mantém o compromisso de proteger suas empresas afetadas pelas tarifas americanas através do programa Brasil Soberano.
Defesa da soberania
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que, apesar de reconhecer a dificuldade das negociações, o governo está decidido a defender os interesses brasileiros sem propor soluções que prejudiquem a economia nacional. A estratégia combina a busca por mitigar os impactos das medidas comerciais impostas pelos EUA com a criação de novas perspectivas para exportações e investimentos, destacando a Índia como um mercado prioritário nessa expansão.
