O mercado financeiro brasileiro teve um dia positivo em 1º de setembro de 2026, impulsionado por uma combinação de fatores internacionais. O dólar registrou queda e a bolsa atingiu seu maior nível em quase quatro meses, sinalizando uma recuperação em meio a tensões geopolíticas e ao aumento do preço do petróleo.
Cenário Cambial
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,153, marcando uma redução de 0,54%. Esse movimento contribuiu para uma queda acumulada de 6,12% no ano. Durante o início das negociações, a moeda norte-americana chegou a atingir R$ 5,20, influenciada pela divulgação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, que indicou uma desaceleração econômica. Essa desaceleração reforçou as expectativas de que o Banco Central possa reduzir a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano. Apesar desse cenário, ao longo do dia, o dólar foi pressionado para baixo, refletindo o comportamento de outras moedas de países emergentes e a elevação dos preços do petróleo.
Em contraponto, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas principais, teve alta de 0,27%, registrando 99,681 pontos no período da tarde.
Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, alcançou uma alta de 1,3%, totalizando 179.722,48 pontos. Este foi o maior valor desde 12 de maio, com o índice superando momentaneamente os 181 mil pontos. As ações da Petrobras, fortemente negociadas, lideraram esse impulso, resultado da elevação dos preços do petróleo. As ações preferenciais e ordinárias da estatal subiram 4,11% e 4,14%, respectivamente. A valorização do petróleo beneficiou ainda mais empresas do setor.
Entre os destaques estava também o aumento de 13,9% no preço do querosene de aviação, anunciado pela Petrobras, e o recorde de produção de petróleo no Brasil, que atingiu 4,5 milhões de barris diários em julho, conforme a ANP.
PIB e Implicações Econômicas
O desempenho do PIB foi um dado relevante para os investidores. No segundo trimestre, a economia brasileira cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior, depois de uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre. Esse resultado evidenciou um desaquecimento, devido à retração no consumo das famílias e à menor atividade industrial. Entretanto, reforçou o otimismo sobre possíveis cortes na Selic.
Por outro lado, o cenário externo mostrou-se menos otimista. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 caiu 0,71%, e a renda dos títulos do Tesouro teve alta, refletindo a venda desses ativos.
Influência dos Preços do Petróleo
Os preços do petróleo registraram uma alta significativa após a notícia de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã, alimentando preocupações com o fornecimento global, especialmente em relação ao estreito de Ormuz. O petróleo WTI subiu 5,2%, fechando a US$ 90,22 o barril, enquanto o Brent saltou 4,6%, para US$ 94,65 o barril.
Esse cenário contribuiu para um ambiente de cautela e reavaliação das expectativas, tanto em nível nacional quanto internacional.
