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Violência no campo: assassinatos caem, mas conflitos crescem

No primeiro semestre de 2026, o Brasil presenciou um aumento nos conflitos agrários, embora o número de assassinatos no campo tenha diminuído em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que divulgou esses dados, 2026 registrou seis assassinatos no campo, em contraste com os 27 casos de 2025. Por outro lado, os conflitos aumentaram de 798 para 841 ocorrências.

Conflitos por terra

Dos conflitos registrados, a maioria teve origem em disputas por terra, somando 711 casos. Em seguida, estão os conflitos por água, com 100 casos, e trabalho escravo rural, com 30 ocorrências. Os estados mais afetados foram Maranhão, com 156 casos; Pará, com 90; Bahia, com 85; e Rondônia e Amazonas, ambos com 63 casos. No Maranhão, por exemplo, os conflitos registraram um aumento notável, em especial no que tange à violência relacionada a agrotóxicos, que praticamente dobrou de 98 para 169 casos.

A coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, destacou que houve uma intensificação da mercantilização e financeirização da terra, impulsionada por fundos de pensão e interesses em terras raras, comumente localizadas em comunidades tradicionais.

Conflitos pela água

Os conflitos relacionados à água também cresceram consideravelmente, passando de 47 para 100 casos em 2026. O estado do Pará lidera as ocorrências, com 16 casos, seguido por Minas Gerais (11) e Amazonas e Mato Grosso (ambos com 10). A luta dos povos indígenas contra a privatização dos rios e a presença de garimpeiros são causas prevalentes, levando à revogação do Decreto nº 12.600/2025 neste ano.

Trabalho escravo e manifestações

As ocorrências de trabalho escravo rural registraram uma queda significativa, de 101 para 30 casos, mostrando avanços na luta contra essa prática. São Paulo destacou-se tanto no número de trabalhadores resgatados (148) quanto em casos de trabalho escravo registrados (cinco). As manifestações foram uma tática fundamental das comunidades para exibir a violência e lutar por direitos, com um total de 284 ações realizadas no primeiro semestre de 2026.

Violência contra a pessoa

Embora o número de assassinatos tenha caído, a violência no campo apresentou um aumento em outros aspectos, contabilizando 588 casos. A contaminação por minérios, que registrou 195 casos, e agrotóxicos, com 132 casos, foram as formas de violência mais comuns. A CPT destacou que os povos indígenas, seringueiros e quilombolas continuam entre os principais alvos dessas agressões.

A atuação da CPT não se limita à denúncia das infrações. A entidade trabalha junto às comunidades, colaborando e registrando vivências, além de auxiliar na construção de políticas públicas que ajudem a mitigar esses problemas persistentes no campo.