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Projeção de inflação para 2023 cai para 5% no mercado financeiro

O mercado financeiro ajustou sua previsão para a inflação no Brasil, agora estimando que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a inflação no país, atinja 5% até o final do ano. Esta correção vem no contexto do Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8), que recolhe semanalmente as expectativas das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos. Este novo número ainda está acima da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil (BC), que é de 3% com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, possuindo assim um limite máximo de 4,5%.

Impacto dos preços dos alimentos e medidas do Banco Central

No mês de julho, a inflação perdeu força pela quarta vez consecutiva, com um aumento de apenas 0,07%, graças a uma redução nos preços dos alimentos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA acumulou 4,44% nos últimos 12 meses, permitindo que o indicador retornasse à meta do governo. O índice de inflação de agosto será divulgado em breve, no dia 11 de setembro, pelo IBGE.

Para o próximo ano, os analistas preveem uma inflação de 4,29%. Olhando mais adiante, as projeções são de 3,8% para 2028 e 3,5% para 2029.

Taxa Selic e política monetária

Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa Selic, que está atualmente em 14% ao ano. Após o mais recente encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual. Este foi o quarto corte seguido, numa tentativa de ajuste frente às novas condições econômicas. De junho de 2025 até março deste ano, a Selic esteve no maior nível em 20 anos, a 15% ao ano.

O próximo encontro do Copom ocorrerá nos dias 15 e 16 de setembro, quando novas decisões poderão ser tomadas considerando o impacto da atual crise no Oriente Médio nos preços dos combustíveis e alimentos. As expectativas atuais do mercado apontam para uma redução da Selic para 13,75% até o final de 2026, e projeções de queda nos anos seguintes, chegando a 10% em 2029.

Alterações na Selic influenciam diretamente na acessibilidade ao crédito e na poupança doméstica. Taxas mais altas buscam controlar uma demanda que possa aquecer demais a economia, gerando inflação. Por outro lado, reduções na taxa visam baratear o crédito, estimulando tanto a produção quanto o consumo.

Crescimento econômico e projeções do PIB

Além da inflação, o Boletim Focus também atualizou as expectativas de crescimento econômico. A previsão para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 foi ajustada de 1,92% para 1,93%. Para os anos seguintes, a expectativa é de um crescimento de 1,5% para 2027 e de até 2% para 2029.

No segundo trimestre deste ano, a economia brasileira registrou um crescimento de 0,5% em comparação com o trimestre anterior, com um avanço acumulado de 1,9% em 12 meses, conforme dados do IBGE. Já em 2025, a economia havia crescido 2,3%, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento.

Em relação à moeda, a previsão do dólar é de fechar o ano em R$ 5,20. Já para o fim de 2027, espera-se que a cotação fique em R$ 5,30, de acordo com o último boletim.