Em 2024, ao descobrir que estava grávida, a terapeuta ocupacional Daiana Nascimento experimentou um misto de alegria e tristeza, ao saber que seria mãe e, pouco depois, ao perceber que se tratava de uma gravidez inviável. Após a realização de um ultrassom, foi diagnosticada com uma condição chamada “mola gestacional”. Essa doença pode evoluir para um câncer de placenta, algo que Daiana precisou enfrentar enquanto lidava com a frustração de uma gestação interrompida.
Compreendendo a Mola Gestacional
A mola gestacional, também conhecida como doença trofoblástica gestacional, surge de uma fertilização inadequada. Na mola incompleta, um óvulo é fecundado por dois espermatozóides ou por um espermatozóide com DNA duplicado, resultando em uma placenta anormal acompanhada por um embrião inviável. Já na mola completa, um óvulo sem DNA é fecundado, causando o desenvolvimento apenas de uma placenta imperfeita, sem embrião.
Ambos os casos necessitam da interrupção da gestação e da remoção da mola para evitar complicações adicionais, como hemorragia uterina e alterações na glândula tireoide e pressão sanguínea. A evolução mais grave é o desenvolvimento do câncer de placenta, que ocorre quando células da mola se fixam no útero. Para mulheres com mola completa, o risco de desenvolver câncer é de 20%, e a possibilidade de metástase, especialmente nos pulmões, torna-se um preocupação.
O professor Antônio Braga, especialista em obstetrícia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lidera um importante centro de pesquisa e tratamento em mola gestacional. Segundo ele, uma em cada 200 a 400 brasileiras que engravidam desenvolve essa condição, uma taxa consideravelmente mais alta em comparação a países como os Estados Unidos e Inglaterra, onde a incidência é menor.
Tratamento e Acompanhamento
O tratamento inicial da mola gestacional envolve a remoção do tecido anômalo através de aspiração uterina. O passo seguinte é o exame histopatológico, que identifica se a mola é parcial ou completa. Após a remoção, é crucial um acompanhamento médico rigoroso para medir os níveis do hormônio HCG, cuja elevação persistente indica a presença de células malignas.
Caso seja detectado um câncer de placenta, o tratamento inclui quimioterapia. Apesar dos desafios, há boas notícias: a recuperação é possível, e muitas mulheres conseguem engravidar novamente após a cura completa. Daiana, por exemplo, finalizou sua quimioterapia com sucesso, mas precisa adiar uma nova gravidez para evitar riscos de diagnóstico incorreto devido aos hormônios da gestação.
Considerações para Mulheres em Situações Semelhantes
Para mulheres mais velhas ou que já concluíram sua família, a histerectomia pode ser uma opção. Essa foi a escolha de Mônica Rosa do Amaral Pelizari, que aos 45 anos passou por um aborto espontâneo e enfrentou um câncer de placenta. Apoiada pela família, ela descreveu seu tratamento como um processo ainda que desafiador, repleto de apoio emocional importante.
Suporte Emocional e Logístico
O suporte social e psicológico é vital para mulheres diagnosticadas com mola gestacional. Elas enfrentam não só perdas físicas, mas também emocionais, sendo frequentemente surpreendidas por um diagnóstico desconhecido. Como parte essencial do tratamento, o apoio familiar se torna crucial. O marido de Daiana, Lucas Felipe, exemplifica bem essa necessidade, afirmando que o impacto do diagnóstico afeta toda a família e que é essencial que todos cuidem da saúde mental.
O trajeto de Daiana para o tratamento de São Pedro da Aldeia até o Rio de Janeiro ilustra outros desafios logísticos. A descoberta de benefícios como gratuidade nos transportes intermunicipais destaca a importância do acesso a recursos que facilitam o tratamento contínuo dessas pacientes.
