Um levantamento recente sobre a percepção da violência de gênero revela que mais de 50% das mulheres no Brasil que já se relacionaram com homens relataram ter sofrido violência em algum momento. Em contrapartida, somente 11% dos homens admitem ter cometido algum tipo de agressão contra parceiras. A pesquisa, intitulada 20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira, foi realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Uber, sendo divulgada em 29 de julho de 2026.
Detalhes da pesquisa
A pesquisa envolveu 1.500 pessoas com mais de 16 anos, de diferentes partes do Brasil, e teve como objetivo oferecer um panorama atualizado sobre a percepção do problema no país. Segundo Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, a violência contra a mulher permanece em níveis preocupantes, com mais de 1 milhão de atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 em 2025, sinalizando um aumento de 45% em relação ao ano anterior e gerando 155 mil denúncias de violência.
Vieira destacou que esses dados refletem as dificuldades persistentes em garantir proteção efetiva para as mulheres, mesmo após 20 anos da Lei Maria da Penha. Conflitos físicos, psicológicos, sexuais e patrimoniais ainda são comuns no ambiente familiar.
Avanços e desafios da Lei Maria da Penha
A Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, é considerada um marco significativo na luta contra a violência doméstica no Brasil. Contudo, 56% das entrevistadas apontam a sensação de impunidade como principal barreira para denunciar violência, enquanto 39% citam a lentidão da Justiça. Apesar do reconhecimento da importância da lei, 82% das mulheres acreditam que, isolada, ela não é suficiente para enfrentar eficientemente o problema.
Atitudes como reprimir as mulheres psicologicamente foram relatadas por 42% das vítimas, o tipo de violência mais comum, seguido por agressões físicas, mencionadas por 25%.
Conhecimento e impacto da legislação
A pesquisa indica que a Lei Maria da Penha é amplamente reconhecida pelo público brasileiro: 88% das brasileiras conhecem suas disposições para violência física, embora a inclusão da violência patrimonial seja menos conhecida, com apenas 46% cientes dessa previsão.
Surpreendentemente, 7 em cada 10 mulheres percebem um impacto real da lei em suas vidas. Ao mesmo tempo, muitas avaliam que antes da legislação havia mais omissão e menores punições para agressores.
Os dados ressaltam a necessidade de ação integrada do Estado para superar a violência de gênero, que continua a ser um problema estrutural no Brasil. Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, afirma que a legislação é reconhecida, mas ainda insuficiente sozinha no combate às injustiças sofridas pelas mulheres.
