Uma pesquisa sobre opinião pública conduzida pela organização Tackle HIV revela que a desinformação em torno do HIV continua a ser um problema significativo no Brasil. Estigmas sociais relacionados ao vírus geram medo nos indivíduos, tanto no que se refere à testagem quanto ao tratamento, podendo resultar em 440 mil mortes evitáveis até 2030.
Impacto do Estigma
Gareth Thomas, representante da Tackle HIV e idealizador da iniciativa, destaca que o estigma associado ao HIV desencadeia consequências marcantes na sociedade. “O medo de fazer o teste, de tomar os medicamentos ou simplesmente o preconceito ao conviver com pessoas que vivem com HIV são impactos imensos”, comentou Thomas. Embora os avanços científicos no tratamento da doença sejam consideráveis, o preconceito ainda dissua as pessoas de procurarem ajuda, afetando diretamente o controle de novas infecções.
Situação no Brasil
O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 registrou 39.216 casos de infecção pelo HIV no Brasil em 2024, majoritariamente na região sudeste, que concentrou 38,4% desses casos. Gareth Thomas ressalta que pesquisas locais são fundamentais para entender como combater o estigma de forma eficaz e adaptar ações que contemplem as demandas regionais específicas. O debate ganhou espaço durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada pela primeira vez no país, no Rio de Janeiro.
Resultados da Pesquisa
Entre os pontos destacados na pesquisa, 36% dos brasileiros acreditam que homens heterossexuais não estão suscetíveis ao HIV, uma crença similar à de 37% dos entrevistados em relação a mulheres heterossexuais. Dos 2.006 adultos brasileiros que participaram do estudo, somente 48% realizaram o teste para o HIV. Muitos dos que consideraram fazer o teste optaram por não realizá-lo, com 40% alegando não se sentirem em risco.
Outro dado preocupante é que 19% dos entrevistados ainda acreditam que pessoas soropositivas não podem ter uma vida sexual ativa. Além disso, apenas 29% dos entrevistados estão cientes de que pessoas sob tratamento eficaz, com carga viral indetectável, não transmitem o vírus através de relações sexuais.
Progresso e Desafios: Unaids 2030
No âmbito internacional, o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids apresenta metas de desenvolvimento sustentável, como a agenda Unaids 2030. Alguns países já atingiram as metas “95-95-95”, significando que 95% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu status, estão em tratamento, e têm carga viral suprimida. O Brasil atingiu duas dessas metas: em 2020, 95% dos soropositivos conheciam seu diagnóstico, e em 2024, 95% daqueles em tratamento tiveram a carga viral suprimida.
Recentemente, o governo brasileiro demonstrou interesse em incluir a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável no Sistema Único de Saúde (SUS), um método que pode prevenir a infecção por até seis meses em pessoas saudáveis.
Sobre a Tackle HIV
A Tackle HIV é uma campanha global de conscientização focada em erradicar o estigma e a desinformação sobre o HIV, idealizada pelo ex-jogador de rugby galês Gareth Thomas em colaboração com a ViiV Healthcare e instituições como a Terrence Higgins Trust. Thomas, um pioneiro ao se assumir publicamente como homossexual e mais tarde compartilhar seu diagnóstico de HIV positivo, enfatiza que receber um diagnóstico positivo já não deve ser visto como uma sentença de morte, devido aos avanços médicos que permitem uma vida normal e saudável.
