A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu interromper temporariamente as operações de quatro empresas de voos panorâmicos no Rio de Janeiro. A medida, anunciada em uma coletiva de imprensa realizada na sede do Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura carioca, vem após um aumento na fiscalização devido a incidentes recentes envolvendo aeronaves na cidade.
Suspensão de empresas e aeronaves
Com a intensificação das inspeções, a Anac passou a verificar mais frequentemente empresas e aeronaves que oferecem voos panorâmicos na capital fluminense. Das 12 empresas registradas para esse serviço, nove foram submetidas a fiscalização, resultando na suspensão das atividades de quatro delas. Entre as 46 aeronaves utilizadas, 18 passaram por inspeção, e nove foram suspensas por irregularidades. O diretor-presidente da agência, Tiago Chagas Faierstein, destacou que “50% das atividades de voos panorâmicos do Rio apresentam algum tipo de irregularidade”, um dado alarmante para as autoridades.
Colaboração entre prefeitura e Anac
A administração municipal do Rio e a Anac estabeleceram uma parceria para aprimorar a segurança das operações de voos panorâmicos. Este esforço conjunto surgiu a partir de acidentes recentes, destacando a queda de um helicóptero em 8 de agosto na Floresta da Tijuca, que vitimou quatro pessoas, incluindo três turistas chilenas.
O prefeito mencionou a necessidade de aumentar a segurança devido ao crescente interesse turístico na cidade, impulsionado também pelo aumento do movimento no aeroporto do Galeão. Em parceria, estão desenvolvendo um sistema mais robusto para monitorar atividades econômicas no setor, visando integrar informações e fortalecer a fiscalização.
Ações futuras e revisão regulatória
A Anac anunciou que revisará o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136 (RBAC 136), cujo foco é especificamente as operações de voos panorâmicos. Este regulamento abordará requisitos de segurança, a qualificação de tripulações, manutenção das aeronaves e gestão da segurança operacional. A revisão contará com a contribuição do público e será submetida a consulta pública para assegurar a transparência no processo.
A prefeitura do Rio também tomou medidas adicionais, como a suspensão do uso do heliponto da Lagoa pelas empresas de voos panorâmicos identificadas por não cumprirem as diretrizes estabelecidas, sobretudo a exigência de decolagem e retorno ao mesmo ponto, conforme o RBAC 136.
Conscientização e responsabilidade compartilhada
A Anac acredita que a segurança aérea é uma responsabilidade conjunta que envolve pilotos, empresas, órgãos reguladores e fabricantes de aeronaves. O diretor-presidente Faierstein incentivou a participação dos usuários por meio da plataforma Voe Seguro, onde é possível verificar a regularidade das aeronaves antes de embarcar. As denúncias de irregularidades por parte do público são essenciais para manter os padrões de segurança na aviação.
