Uma nova pesquisa revela que 42% das mulheres brasileiras já participaram de apostas online. Desse grupo, 20% ainda continuam jogando com frequência variável, enquanto 22% já abandonaram as apostas. O estudo, denominado Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias, foi realizado pelo estúdio Clarice, com Estratégia Latina e Instituto Ideia, e divulgado em 17 de agosto de 2026. Além disso, dos 58% de mulheres que nunca apostaram, 12% sentem o impacto das apostas por meio de parentes ou amigos, somando mais da metade da população feminina brasileira impactada de alguma forma pelas plataformas de apostas.
Impactos e Desafios
As apostas online têm um alcance considerável entre as mulheres, especialmente aquelas que são mães, pois 72% das apostadoras têm filhos, o que as torna 1,6 vezes mais propensas a apostar do que aquelas sem filhos. A pesquisa também aponta uma diferença racial entre as apostas: 45% das mulheres pardas, 39% brancas e 37% pretas já experimentaram plataformas de apostas. Além das questões financeiras, essa atividade tem gerado tensões dentro das famílias, com relatos de culpa e vergonha associadas ao jogo secreto. Um exemplo disso é que 30% das mulheres que apostam fazem isso à noite, comparado a 20% dos homens, refletindo a tendência de manter o hábito escondido.
Uso e Percepções
Ao contrário do entretenimento, para muitas mulheres, as apostas surgem como uma estratégia de gestão financeira e sobrevivência, ajudando a pagar despesas essenciais como boletos e suprimentos para os filhos. Devido à promessa de ganhos fáceis, as plataformas online se integram aos lares brasileiros, explorando o papel de cuidadora atribuído historicamente às mulheres. Essa presença intensificada se deve também à publicidade massiva nas redes sociais, que 72% das mulheres acreditam contribuir para o aumento do vício em jogos de azar.
Riscos Envolvendo Jovens
Embora as apostas sejam legalmente proibidas para menores de 18 anos no Brasil, muitos jovens acabam se envolvendo com essas práticas, frequentemente usando o CPF de adultos, com ou sem seu consentimento. Esse comportamento pode ser facilitado pelos próprios adultos, seja por meio da influência de amigos, escola ou redes sociais, demonstrando a complexidade e o alcance do problema.
Prevenção e Soluções
O estudo indica diretrizes para enfrentar o avanço das apostas, como o fortalecimento dos mecanismos de saúde pública para apostadores e seus familiares, a restrição à publicidade e a redução gradual das modalidades de apostas, começando com os cassinos online. É importante ressaltar que 67% das entrevistadas acreditam que as apostas estão destruindo as famílias brasileiras, e 23% dos entrevistados conhecem casos de violência doméstica ligados a essa atividade.
A pesquisa foi elaborada com base em entrevistas qualitativas e quantitativas realizadas em junho e agosto de 2026, incluindo 2.008 participantes em todo o Brasil, respeitando a distribuição demográfica nacional.
