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Campanha eleitoral negligencia ciência, alerta SBPC

No contexto das eleições gerais de 2026, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifesta preocupação com a ausência de discussão sobre temas essenciais como ciência e tecnologia. Francilene Garcia, presidente da entidade, enfatiza que o foco atual em escândalos políticos, especialmente envolvendo o caso Master, tem desviado a atenção dos eleitores e candidatos dessas questões cruciais para o futuro do país.

Importância de uma agenda conjunta

Francilene Garcia destaca que eleitores e candidatos têm sido empurrados para uma falsa escolha entre discutir a integridade das instituições e planejar o futuro do Brasil. Segundo ela, é crucial entender que ambas as questões integram a mesma agenda e não devem ser vistas separadamente. Esta postura é essencial para que o país enfrente desafios iminentes, como o envelhecimento populacional e a transição energética.

O papel da ciência nos debates eleitorais

Historicamente, a ciência tem sido negligenciada nos debates eleitorais brasileiros, salvo exceções em momentos críticos, como a pandemia de covid-19 em 2020. Em 2024, eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca em regiões do Norte e Nordeste, trouxeram temporariamente o tema de volta à pauta. No entanto, Francilene observa que essa discussão tem se dissipado no atual debate eleitoral.

Para combater esta tendência, a SBPC lançou o Observatório das Eleições com mais de uma centena de propostas voltadas para o desenvolvimento do país, mas tem encontrado pouco engajamento entre os candidatos, especialmente aqueles concorrendo a níveis estaduais.

Desafios e perspectivas para a ciência no Brasil

A SBPC aponta que a crise político-institucional e o foco em escândalos têm impactado diretamente a capacidade de engajar tanto candidatos como a população em discussões sobre investimentos em ciência e tecnologia. Francilene Garcia alerta que, sem uma abordagem decisiva nessa área, o Brasil pode enfrentar dificuldades ainda maiores em eventos futuros, como novas crises pandêmicas.

Temas como o impacto das mudanças climáticas para o Brasil e a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para lidar com pandemias futuras são exemplos de questões urgentes que deveriam ser prioritárias, mas que ainda recebem pouca atenção.

Propostas da SBPC para o futuro

A SBPC propõe uma abordagem integrada para enfrentar questões complexas que o Brasil terá que enfrentar nos próximos anos. Considerando que em breve a população acima de 60 anos será maior do que a em idade produtiva, a organização questiona que tipo de soberania e independência o Brasil deseja alcançar. A inevitável avaliação dessas questões compete tanto aos formuladores de políticas quanto à sociedade como um todo, segundo a SBPC.

Francilene Garcia sublinha que a ciência deve ter um papel central nos debates políticos e que, sem o reconhecimento de sua importância, o país corre o risco de permanecer um simples exportador de matérias-primas, sem conseguir desenvolver uma economia baseada em conhecimento e inovação.