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Como o exemplo masculino em casa pode combater a misoginia desde cedo

No contexto do Dia dos Pais, especialistas em saúde mental apontam que o combate à misoginia pode começar dentro de casa, com os pais desempenhando papéis essenciais na formação dos filhos. A ação consciente e afetiva dos pais pode ser um escudo contra comportamentos machistas, como explica Cleomar Barros, um analista de sistemas que vive em Brasília. Ele compartilha o exemplo de uma conversa crucial com seu filho de 8 anos sobre respeito às meninas, destacando a importância de educar pelo exemplo.

Importância do Modelo Paternal

Thiago Queiroz, psicanalista conhecido por sua página “Paizinho, vírgula!”, com um público de mais de 324 mil seguidores, enfatiza que as crianças aprendem pelas ações dos adultos ao seu redor. Ele defende que o respeito às mulheres deve ser ensinado de forma natural nas diversas interações cotidianas. Essa abordagem permite que os meninos internalizem valores de respeito enquanto crescem. Cleomar Barros complementa que existem recursos, como livros infantis, que ajudam a abordar de maneira lúdica a força feminina e o tema da violência contra elas.

Engajamento Escolar

A escola também desempenha um papel crucial nessa formação. Ana Paula Lilly, orientadora educacional em Bauru (SP), alerta que mensagens misóginas estão presentes nos grupos de mensagens entre adolescentes. Ela acredita que é essencial educar os jovens sobre o uso crítico das mídias digitais e que família e escola devem trabalhar juntas promovendo valores de respeito e igualdade. As instituições de ensino têm a responsabilidade de envolver os pais nas decisões quando atitudes violentas são detectadas entre alunos.

Redes de Apoio Paternal

Iniciativas como o “Papicast”, em São Paulo, criado por um grupo de pais, fornecem um espaço para discutir a paternidade e apoiar uns aos outros. Tiago Koch, cofundador do projeto “De Mano pra Mano”, sugere que os meninos necessitam de orientação para lidar com questões relacionadas a machismo. Ele observa que o avanço tecnológico traz novos desafios, afastando os pais das referências de gerações anteriores. Já Dennis Takada destaca a necessidade de políticas públicas que compreendam as exigências atuais da paternidade.

Abertura Emocional dos Pais

Fábio Manzoli, terapeuta de Jundiaí (SP) e pai de gêmeos, iniciou o canal “Masculinidade saudável” após perceber os efeitos que a repressão emocional masculina teve na sua vida. Ele defende que é importante que os pais demonstrem suas vulnerabilidades aos filhos, incentivando um ambiente onde as emoções são permitidas e compreendidas. Segundo Manzoli, reconhecer e desmantelar preconceitos machistas é um passo fundamental para criar uma geração mais consciente. Cleomar Barros reflete, ao final, que a educação por meio do exemplo diário pode ajudar a quebrar o ciclo de misoginia, criando filhos que respeitam e valorizam as mulheres.