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Cresce o número de trabalhadores brasileiros em plataformas de apps

O Brasil alcançou a marca de cerca de 2 milhões de trabalhadores por meio de aplicativos (apps) em 2025. A maioria desses profissionais atua por conta própria, enfrentando longas jornadas semanais e recebendo menos por hora trabalhada em comparação com outros trabalhadores do setor privado. Esses dados fazem parte de um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado recentemente, que observou o impacto das plataformas digitais no mercado de trabalho, especialmente em serviços de transporte e entregas.

Crescimento e Perfil dos “Plataformizados”

O levantamento do IBGE constatou que em 2025, aproximadamente 1,959 milhão de trabalhadores atuavam por meio de aplicativos, o que corresponde a 1,9% do total de ocupados no país. Dentro desse grupo, 1,2 milhão estavam engajados em serviços de transporte de passageiros, utilizando plataformas como Uber e 99. Além disso, 376 mil pessoas trabalhavam como entregadores para empresas como Rappi, iFood e Zé Delivery. Outros 313 mil profissionais estavam envolvidos em serviços gerais ou profissionais, incluindo telemedicina e design.

A pesquisa ainda revela que a maioria desses trabalhadores está vinculada à atividade econômica de transporte, armazenagem e correios, que absorve 75% do total de plataformizados.

Evolução do Trabalho por Aplicativos

Apesar de a pesquisa ser classificada pelo IBGE como experimental, ela já foi realizada anteriormente, em 2022 e 2024. No entanto, essas edições consideravam apenas os que tinham os apps como fonte principal de renda. Em 2025, esse número chegou a 1,8 milhão, representando um crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% em três anos.

Entre os diferentes tipos de ocupação, os entregadores de aplicativos apresentaram um crescimento expressivo de 18,6% entre 2024 e 2025.

Características e Desafios dos Trabalhadores por Apps

O levantamento revela um perfil majoritariamente masculino entre os trabalhadores de aplicativos, com 84,4% dos profissionais do sexo masculino e 47% entre 25 e 39 anos. As razões para optarem por esse tipo de trabalho incluem a dificuldade em encontrar outras oportunidades de emprego, além da flexibilidade e potencial de um rendimento superior a outras opções disponíveis.

Em relação às jornadas de trabalho, os plataformizados trabalhavam em média 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas dos trabalhadores tradicionais. Apesar de ter um rendimento mensal semelhante (R$ 3.147 para os plataformizados e R$ 3.148 para os não plataformizados), a remuneração por hora dos plataformizados é 12% menor, recebendo R$ 16,2 por hora, comparados aos R$ 18,4 dos demais.

Informalidade e Dependência das Plataformas

A informalidade é uma preocupação significativa, com 72,1% dos plataformizados atuando sem registros formais, enquanto nos trabalhadores tradicionais esse número é de 42,7%. Apenas 34% dos trabalhadores por aplicativos têm cobertura previdenciária.

A maioria dos trabalhadores declarados como independentes relatam uma dependência significativa das plataformas para condições de pagamento e prazos de trabalho, sugerindo uma diferente relação de trabalho em comparação com os autônomos tradicionais.

Desafios Regulatórios e Resposta das Plataformas

O debate sobre a “uberização” do trabalho no Brasil permanece quente. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a retomada do julgamento sobre o reconhecimento de vínculo empregatício para trabalhadores de aplicativos. Enquanto algumas categorias buscam esse reconhecimento para melhorar as condições de trabalho, as plataformas e a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) defendem que não há vínculo empregatício, preocupando-se com a necessidade de uma “regulamentação equilibrada”.