O Governo Central registrou um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, impulsionado principalmente por despesas com saúde e Previdência, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional na última quinta-feira (30). Esse valor representa um aumento em comparação com junho de 2025, quando o déficit foi de R$ 44,2 bilhões, e é o maior déficit para o mês desde 2023, ajustado pela inflação. O Governo Central abrange as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, e o resultado primário desconsidera os gastos com juros da dívida pública.
Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado atingiu R$ 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB).
Composição do Déficit
O resultado negativo de junho foi composto por:
- Tesouro Nacional: déficit de R$ 2,45 bilhões;
- Previdência Social: déficit de R$ 50,47 bilhões;
- Banco Central: déficit de R$ 155 milhões.
A Previdência Social se destacou como o principal responsável pelo impacto negativo, com despesas acima das receitas.
Entendendo o Déficit
O déficit primário é a diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os juros da dívida pública. Um superávit ocorre quando as receitas superam as despesas, e um déficit acontece na situação oposta. Esse indicador é crucial para avaliar a saúde financeira do governo.
No semestre, de janeiro a junho, o Governo Central acumulou um déficit de R$ 92,2 bilhões, comparado ao déficit de R$ 11,3 bilhões no mesmo período de 2025.
- Superávit do Tesouro Nacional: R$ 144,3 bilhões;
- Déficit da Previdência Social: R$ 236,2 bilhões;
- Déficit do Banco Central: R$ 324 milhões.
Receita e Despesas
Apesar do cenário negativo, a receita líquida do Governo Central somou R$ 195,2 bilhões em junho, representando um aumento de 10,3% acima da inflação em relação a 2025. Contribuíram para esse incremento a arrecadação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto de Importação e as receitas da exploração de recursos naturais, incluindo petróleo e gás.
No entanto, as despesas totais em junho foram de R$ 243,4 bilhões, um aumento de 9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A alta nas despesas se deu, principalmente, em benefícios previdenciários, ações de saúde, abono salarial, seguro-desemprego, gastos com pessoal e créditos extraordinários.
No acumulado semestral, o incremento das despesas chegou a 12,3%, totalizando R$ 1,347 trilhão.
Outros Fatores e Metas
As receitas de dividendos, que são valores recebidos por participações em empresas estatais, reduziram-se para R$ 2,39 bilhões em junho, abaixo dos R$ 2,75 bilhões no mesmo mês de 2025. No ano, a soma é de R$ 10,47 bilhões, comparada a R$ 24,95 bilhões no primeiro semestre do ano anterior.
Os investimentos federais aumentaram em junho, totalizando R$ 7,75 bilhões, um avanço real de 18%. De janeiro a junho, os investimentos foram de R$ 49,8 bilhões, 65,7% a mais do que no ano passado.
A meta fiscal do governo para 2026 é atingir um superávit primário de R$ 34,3 bilhões (0,25% do PIB), desconsiderando alguns gastos. A legislação aceita uma margem de ajuste, permitindo que o resultado varie entre um saldo zerado ou um superávit de 0,5% sem que seja considerado descumprimento da meta. Recentemente, uma revisão do Orçamento indicou um superávit de R$ 10,8 bilhões projetado após ajustes permitidos por lei; sem esses ajustes, a estimativa oficial prevê um déficit de R$ 52 bilhões.
