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Desigualdade política cresce com concentração de riqueza, aponta Oxfam

A recente publicação do relatório Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia, pela Oxfam Brasil, chama atenção para a manutenção das desigualdades de renda no Brasil devido à participação desproporcional de ricos na política. Segundo o documento, ao conquistarem o poder, essas elites tendem a formular leis e regulamentos que preservam seus privilégios, dificultando a distribuição dos recursos.

Impacto da concentração econômica na democracia

O relatório destaca que a concentração de riqueza compromete a democracia, conferindo às elites o poder de vetar políticas públicas e influenciar de maneira significativa os rumos das eleições. Este fenômeno, contudo, não é exclusivo do Brasil; em escala global, ricos exercem uma influência desproporcional sobre decisões políticas. O estudo Resistindo ao Domínio dos Ricos, da Oxfam Internacional, demonstrou que, em 2025, as riquezas acumuladas pelos bilionários atingiram US$ 18,3 trilhões.

No Brasil, especificamente, este contexto é histórico e reforçado por fatores como o legado escravocrata e a concentração fundiária. A pesquisa alerta que essa dinâmica enraizada afeta diretamente o sistema eleitoral, perpetuando um desequilíbrio que vai além das meras disparidades financeiras.

Realidade global e situação brasileira

Embora as desigualdades de riqueza sejam identificáveis em nível mundial, o contexto brasileiro apresenta nuances próprias. O Global Wealth Report 2026, desenvolvido pelo banco UBS, posiciona o Brasil entre os países mais desiguais do globo em termos patrimoniais, com uma população de aproximadamente 386 mil milionários em 2025. Apesar de alguns avanços sociais, como a redução da pobreza para cerca de 9 milhões de brasileiros, a estrutura tributária ainda castiga mais as classes menos favorecidas.

O papel das grandes corporações tecnológicas (big techs) intensifica essa disparidade. Essas empresas, em função da falta de regulamentação, conseguem maximizar lucros e influenciar áreas tradicionais e digitais, operando como máquinas de extração de valor econômico e controle social, de acordo com o estudo.

Desigualdades políticas e sociais

O aspecto político da desigualdade vai além da dimensão eleitoral. A desigualdade racial e de gênero também se manifesta claramente. Em 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas. Nas capitais, somente duas mulheres foram eleitas. Em termos legislativos, a sub-representação feminina é acentuada, com apenas 17,7% dos deputados eleitos em 2022 sendo mulheres.

A situação não é diferente quando se analisa o patrimônio dos políticos. Em 2022, quase 45% dos eleitos possuíam mais de R$ 1 milhão, evidenciando a predominância de pessoas mais ricas nos cargos de decisão. Este desequilíbrio também afeta outros setores governamentais, onde as estruturas de poder seguem um padrão bastante excludente.

Propostas de mudanças

Conforme a Oxfam Brasil, o combate a essas desigualdades passa por quatro eixos principais: implementação de igualdade e transparência tributária; garantir uma participação política equilibrada, sem influências corporativas; promover a diversidade social no Congresso; e fortalecimento do controle social sobre os gastos e normas públicas.

A organização ainda enfatiza que embora as desigualdades não sejam simples de resolver, são fruto de escolhas políticas suscetíveis de serem revertidas. As ações propostas podem ajudar a criar um cenário mais justo e a reequilibrar as estruturas de poder no país.

O relatório completo, com todas as propostas e análises detalhadas, pode ser acessado através do site da Oxfam Brasil.