Os Estados Unidos anunciaram uma lista de 471 produtos brasileiros que estarão isentos de uma nova tarifa de 12,5%, imposta por questões relacionadas ao trabalho forçado. Entre os produtos excluídos da cobrança estão café, petróleo, fertilizantes e suco de laranja. A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e a lista foi divulgada nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026.
Itens isentos da nova tarifa
A decisão de isentar certos produtos surge em um contexto de preocupação com a necessidade de produtos estratégicos para a economia dos EUA e insumos vitais para a indústria local. Na lista de exceções, encontram-se:
- café;
- petróleo e derivados;
- gás natural;
- fertilizantes;
- madeira e produtos de madeira;
- suco de laranja;
- derivados de açaí;
- defensivos agrícolas;
- couros e peles;
- ferro-gusa;
- resíduos e sucata de alumínio;
- equipamentos para fabricação de semicondutores;
- medicamentos e ingredientes farmacêuticos específicos;
- obras de arte, antigüidades e itens de coleção.
Esses produtos foram considerados críticos para o comércio bilateral e para o funcionamento de determinados segmentos industriais estadunidenses.
Nova tarifa cumulativa
A nova taxa imposta de 12,5% será acumulada aos 25% já existentes sobre certas exportações brasileiras, totalizando, assim, 37,5% de tarifa sobre produtos que não estão na lista de isenções. A medida substitui uma taxa global temporária de 10% que havia sido implementada desde fevereiro deste ano.
Essa decisão segue uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que avalia práticas de trabalho forçado em países parceiros, incluindo o Brasil. Apesar da alegação de falta de ação suficiente contra o trabalho forçado, o USTR decidiu manter centenas de isenções, considerando a importância econômica de certos bens e acordos comerciais preexistentes.
Diversas exceções no comércio internacional
Além das isenções de produtos específicos, os Estados Unidos também implementaram medidas diferenciadas para países e regiões como Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Malásia, Suíça, Taiwan e Reino Unido. Esses países receberam condições especiais em razão de acordos comerciais ou por adotarem métodos robustos de combate ao trabalho forçado.
Por exemplo, para a importação de vestuário e têxteis de países como Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, foram estabelecidas cotas que permitem a entrada sem a tarifa adicional, desde que sejam usados insumos produzidos nos Estados Unidos, como o algodão.
A decisão de isenção e as exceções por categoria de produto visam atenuar as tensões comerciais e minimizar o impacto econômico sobre indústrias críticas nos Estados Unidos.
