Os professores das escolas particulares do Rio de Janeiro interromperam suas atividades nesta quarta-feira, 2 de setembro, em uma paralisação de 24 horas. A manifestação visa chamar a atenção para a necessidade de melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional, incluindo um reajuste salarial e a valorização dos educadores.
A greve foi confirmada após deliberação em uma assembleia realizada no último sábado, dia 29 de agosto, organizada pelo Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio). Segundo o sindicato, as negociações anteriores não resultaram em um acordo satisfatório.
Reivindicações dos Professores
- Pagamento da hora-atividade para o trabalho pedagógico realizado fora da sala de aula;
- Gratificação pelo aprimoramento acadêmico dos professores;
- Proposta de equiparação salarial entre os profissionais envolvidos na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio;
- Reivindicação de reajuste salarial de pelo menos 5,5%.
Fábio Conde, que atua como diretor jurídico do Sinpro-Rio, destacou que o salário dos professores está desatualizado. Ele ressaltou que, especialmente após a pandemia, o volume de trabalho fora da sala de aula cresceu significativamente, incluindo a utilização de plataformas digitais, adaptação de conteúdos didáticos e outras atividades relacionadas.
“Solicitamos ao patronato que seja incluída uma cláusula para remunerar essa hora-atividade que ocorre fora da sala de aula, pois os professores têm trabalhado além do necessário sem receber qualquer compensação”, afirmou Conde.
Ele enfatizou ainda o desgaste diário: “O professor está trabalhando na escala 7 por 0, sem descansos. Tem deveres, trabalhos para corrigir e diversas responsabilidades diárias, mesmo fora da sala de aula. Não há qualquer intervalo”. Ele também chamou a atenção para o número crescente de professores afastados por problemas mentais.
Resposta do Sindicato Patronal
A Agência Brasil procurou o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Rio de Janeiro (SinepeRio), que optou por não fazer nenhum comentário sobre a paralisação dos professores até o momento.
O contexto traz à tona a discussão sobre a carga de trabalho dos educadores, que se intensificou durante o período pandêmico, levando a uma reflexão sobre as condições de ensino e a saúde mental dos profissionais. A categoria busca uma cláusula específica em suas negociações para garantir a devida remuneração pelas tarefas realizadas fora do ambiente escolar tradicional.
Além das questões salariais e de reconhecimento, a greve também visa um diálogo mais efetivo com as instituições de ensino privadas para que compreendam e valorizem a complexidade e a importância do papel dos professores na sociedade.
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