Uma nova tarifa adicional de 12,5%, imposta pelos Estados Unidos, impactará diretamente cerca de 3.985 produtos brasileiros, elevando a carga tributária total sobre esses itens para 37,5% na entrada do mercado norte-americano. Esse impacto foi revelado por um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado na quinta-feira, 23 de julho de 2026.
Impacto sobre as exportações
Conforme descrito pela CNI, a nova tarifação atingirá cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações, o que corresponde a 29,4% do total das vendas brasileiras para os Estados Unidos. A medida começa a vigorar nesta sexta-feira, 24 de julho, e vai afetar uma ampla gama de produtos. Exatamente 4.060 produtos brasileiros sofrerão o impacto da nova sobretaxa: desses, 3.985 produtos já estavam sujeitos a uma tarifa adicional de 25% e agora terão a carga total elevada para 37,5%, representando 80,7% das exportações afetadas, ou US$ 10,8 bilhões. Além disso, outros 75 produtos, somando US$ 1,6 bilhão em exportações, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%.
Causas da tarifação
A imposição dessas novas taxas é consequência de uma investigação dos Estados Unidos, conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense. O relatório final dessa investigação concluiu que o Brasil, junto com outros países, não implementa medidas suficientes para mitigar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Essa conclusão irritou o governo brasileiro, que classificou as tarifas como “indevidas” e prometeu reagir de acordo.
>> Governo brasileiro contesta e chama tarifas de indevidas.
Resposta do Brasil
A CNI argumenta que as razões apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não refletem com precisão a situação no Brasil. A entidade destacou que o país tem uma das legislações mais avançadas do mundo em termos de prevenção, combate e erradicação do trabalho forçado nas cadeias produtivas. O Brasil possui mecanismos jurídicos reconhecidamente eficazes em âmbito internacional, principalmente no que tange à fiscalização e proteção dos direitos dos trabalhadores.
Movimentos para negociação
Ricardo Alban, presidente da CNI, expressou a necessidade urgente de intensificar as negociações entre Brasil e Estados Unidos para minimizar os efeitos da nova sobretaxa sobre as indústrias afetadas. Ele ressaltou a importância de manter um diálogo contínuo e eficiente entre as nações e a prontidão para adotar medidas de curto prazo que possam diminuir o impacto econômico adverso. A CNI já está em comunicação com o governo brasileiro e com setores impactados pela medida.
Contexto internacional
A investigação realizada pelos Estados Unidos abrangeu 60 países parceiros comerciais, entre eles o Brasil. O governo norte-americano considerou que esses países “não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz” a proibição da importação de bens produzidos sob condições de trabalho forçado. A decisão culminou na aplicação imediata da tarifa de 12,5% sobre uma parte significativa das exportações brasileiras, que, em muitos casos, será somada à tarifa de 25% já existente. Essa situação tem gerado debates e instabilidade no comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
