Pular para o conteúdo

Marcha Nacional celebra a luta das mulheres negras em mais de 26 capitais

Em diversas cidades brasileiras, manifestações neste fim de semana celebraram o Julho das Pretas, mês dedicado à luta contra o racismo e à promoção dos direitos das mulheres negras. A data escolhida para as mobilizações foi em razão do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, comemorado no último sábado, dia 25 de julho.

Pautas de Reparação e Bem Viver

Os eventos ao redor do Brasil tiveram como foco a reparação histórica pelas desigualdades promovidas pelo Estado e a sociedade, além da discussão sobre o Bem Viver, um conceito de vida que valoriza o cuidado com o próximo, a ancestralidade e a coletividade. Busca-se, assim, alcançar justiça social e garantir a preservação da vida.

A Marcha das Mulheres Negras de Pernambuco deu início às atividades na sexta-feira, 24 de julho, em Recife. As manifestantes saíram do parque Treze de Maio e seguiram até o Pátio do Carmo, clamando por maior representatividade das mulheres negras em cargos de poder.

Atos em Diversas Capitais

Em 25 de julho, Belo Horizonte foi palco de uma marcha que, além das demandas gerais, celebrou os 12 anos da Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela, um grupo que apoia majoritariamente mulheres negras na capital mineira. Já em Belém, ocorreu a 11ª edição da marcha na praça da República, um local histórico por também simbolizar o passado escravocrata do país, já que parte da praça foi construída sobre um antigo cemitério de escravos.

Flávia Vieira, organizadora do evento em Belém, ressaltou a relevância do tema “Ancestralidade, um projeto de futuro que se faz agora”. Ela destaca a necessidade de dar importância aos direitos humanos e à participação política, frisando que as mulheres negras são um grupo decisivo nas eleições. “Precisamos escolher bem as pessoas que vão nos representar”, afirma Flávia.

Participação Crescente em Salvador

Em Salvador, a marcha no dia 25 foi organizada pelo Odara – Instituto da Mulher Negra. Beatriz Souza, integrante do instituto, destacou o aumento da adesão a cada edição, reforçando a importância do evento como espaço de resistência e transformação social. Ela salientou a energia positiva do encontro, onde rituais como pedir licença a Exu e empoderar as crianças estiveram presentes, simbolizando a esperança de construir um mundo mais justo.

O Odara também lidera outras atividades previstas para o Julho das Pretas. Neste ano, quase 700 ações serão realizadas em toda a extensão do país, mobilizando mais de 290 coletivos em 23 estados, além do Distrito Federal.

Essas atividades não apenas celebram a resistência da mulher negra, mas também buscam influenciar políticas públicas e promover mudanças significativas na sociedade, garantindo um futuro mais inclusivo e igualitário para todos.