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Porto Alegre sedia protestos em defesa da liberdade religiosa

No sábado, 15 de agosto de 2026, a cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, será palco de mobilizações contra a intolerância religiosa. Dois eventos importantes marcarão o dia: a Marcha dos Quimbandeiros e o Encontro Internacional de Quimbandeiros. Essas manifestações buscam reafirmar a resistência e a visibilidade das religiões de matriz africana, promovendo um ambiente de respeito e liberdade de culto.

Eventos em defesa da liberdade religiosa

A Marcha dos Quimbandeiros, que acontecerá às 14h, terá sua terceira edição este ano. Simultaneamente, o Encontro Internacional de Quimbandeiros realizará sua 19ª edição, começando às 20h. Organizados pelo babalorixá Pai Ricardo de Oxum, esses eventos objetivam transformar Porto Alegre em um ponto de referência para a Quimbanda no Brasil, Uruguai e Argentina.

Pai Ricardo, que lidera a Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá e o terreiro de batuque da Família Yecari, explica que essas iniciativas foram inicialmente motivadas pelo preconceito presente no Rio Grande do Sul, que possui a maior população de adeptos das religiões de matriz africana no país. Contudo, é também um dos estados que mais registram casos de intolerância religiosa.

O sacerdote destaca que o Encontro surgiu há 19 anos devido ao preconceito enfrentado pelas pessoas que não podiam expressar sua fé livremente nas ruas, sendo comumente alvo de racismo e discriminação ao acender velas nas esquinas.

Resistência e transcendência internacional

Embora tenha se originado no Brasil, o Encontro de Quimbandeiros ganhou projeção internacional, sendo realizado também na Argentina, Uruguai e Chile. Pai Ricardo de Oxum relata que na Argentina o preconceito é aberto, com terreiros sendo frequentemente invadidos pela polícia devido a denúncias de som alto. A situação é semelhante no Uruguai, enquanto no Chile a prática religiosa é enfraquecida pelo preconceito.

No Rio Grande do Sul, a Quimbanda é uma das principais expressões de espiritualidade afro-brasileira, ao lado da umbanda, candomblé e batuque. Essa diversidade é fundamental para a história cultural e social da população negra na região.

Combate ao preconceito e valorização das tradições

A marcha não é apenas um protesto, mas uma celebração da cultura africana e uma tentativa de desmistificar figuras relevantes, como Exus e Pomba-Giras. Essas entidades são muitas vezes mal interpretadas devido aos preconceitos existentes. Pai Ricardo observa que essas figuras são vistas erroneamente como ‘diabos’, uma concepção inexistente nas religiões de matriz africana.

A marcha, no ano anterior, reuniu por volta de 2 mil pessoas, que participaram de um manifesto com trio elétrico e com cantos de pontos de Exu e Pomba-Gira. O evento não só confronta a intolerância, mas também reúne pessoas de diversas localidades para compartilharem suas experiências e lutas contra o preconceito religioso.

Um espaço dedicado à Quimbanda

Além das marchas e encontros, Porto Alegre também dispõe de um espaço exclusivo para um monumento de Exu, doado pela prefeitura há cinco anos. Esse marco é significativo na valorizarionacional da Quimbanda e na luta pela liberdade religiosa. O espaço, conhecido como Rótulo da Quimbanda, é o primeiro monumento a céu aberto dedicado a Exu no Brasil, evidenciando o compromisso da cidade com a promoção da diversidade cultural e religiosa.

Pai Ricardo de Oxum também participou de um ato inter-religioso em homenagem a São Jorge, em colaboração com a Igreja São Jorge de Porto Alegre, reforçando a importância do diálogo e da convivência pacífica entre diferentes crenças. Tais ações são fundamentais na sensibilização da sociedade para as questões de racismo religioso.

Os números, infelizmente, refletem uma realidade preocupante: entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque 100 registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa. Compreender e respeitar as tradições afro-brasileiras, sem dúvida, é um passo crucial para diminuir esses índices e promover uma sociedade mais inclusiva e respeitosa.