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Programa oferece bolsas a jovens negros do Rio e Bahia para estudo no exterior

Estudar no exterior é o desejo de muitos jovens, mas o custo elevado pode ser uma grande barreira. Pensando nisso, o Fundo Baobá, uma instituição que promove a equidade racial, criou o programa Black STEM. Este programa oferece bolsas de estudos no valor de R$ 42 mil para alunos negros das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Neste ano, três estudantes foram selecionados para embarcar em suas jornadas acadêmicas internacionais em setembro.

Destinos acadêmicos e bolsas

A primeira contemplada, Caio Ramos, é natural de Irajá, no Rio de Janeiro, e estudará Design no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), nos Emirados Árabes Unidos. A segunda, Quezia Fernanda, de 19 anos e residente em Rio das Ostras, também no Rio de Janeiro, vai se especializar em Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha. Por fim, João Vitor, de Cruz das Almas, na Bahia, cursará Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.

Trajetórias inspiradoras

Caio enfrentou desafios significativos antes de realizar seu sonho. Durante a pandemia, sua escola não conseguiu oferecer aulas online, o que resultou em uma interrupção de um ano em seus estudos. Além disso, seu pai adoeceu de Alzheimer e Parkinson, obrigando Caio a trabalhar para sustentar a família. Apesar das dificuldades, ele vê sua participação no programa como uma conquista pessoal e uma vitória para outros em situações semelhantes.

Quezia, após concluir o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense, teve a oportunidade de disputar a bolsa de estudos. Vinda de uma região com forte atuação na energia, ela quer se especializar em soluções sustentáveis na engenharia elétrica. Durante o evento de boas-vindas, manifestou sua gratidão pela oportunidade de seguir essa carreira.

João Vitor, desde jovem, demonstrou interesse por computação. Crescendo no Recôncavo Baiano, um local rico em cultura negra e comunidades quilombolas, ele encontrou na Northwestern University a inspiração necessária após conhecer Jean, um estudante brasileiro também de origem quilombola. João expressa uma profunda gratidão e desejo de retribuir às lideranças que o apoiaram.

Mais que uma bolsa, um suporte completo

O programa Black STEM oferece mais que auxílio financeiro; ele busca garantir que os bolsistas tenham sucesso em sua trajetória acadêmica. Além da bolsa, os estudantes recebem apoio de mentoria, participam de workshops, têm acesso a líderes negros influentes e acompanhamento psicológico. Segundo Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, este suporte adicional é essencial para combater a solidão e os desafios de saúde mental que podem surgir em estudantes afastados de seu lar e cultura familiar.

Com essa iniciativa, o Fundo Baobá espera não apenas abrir oportunidades, mas promover um movimento de transformação e inclusão, inspirando ainda mais jovens negros a acreditar em seu potencial e a conquistar espaços de destaque ao redor do mundo.